o modelo tradicional de moradia está mudando, e os sinais estão por todos os lados.
O imóvel do futuro será diferente do que o mercado acostumou a construir. Não se trata só de onde ele está ou quanto ele custa — mas do que ele é capaz de fazer por quem o habita.
O porão está virando usina de energia. Prédios são montados como um Lego. A moradia virou serviço. E investidores, cada vez mais, querem retorno previsível e resiliência energética — não só localização.
É hora de aceitar: o modelo tradicional de moradia está mudando, e os sinais estão por todos os lados.
O imóvel residencial não será mais um ativo fixo, mas uma plataforma de serviços. A lógica de produto dá lugar à lógica de assinatura.
Com a alta nos preços dos imóveis (7,73% em 2024) e a renda estagnada (IPCA a 4,64%), jovens priorizam mobilidade, flexibilidade e experiência. A posse perdeu apelo simbólico.
Serviços como limpeza, coworking, gym e concierge — acessados por app — viram diferencial competitivo e aumentam o valor do m² em até 34%, segundo a JLL.
O modelo RaaS (Residence as a Service) já movimenta bilhões e conta cada vez mais com empresas que se profissionalizaram na atividade e estão conseguindo entregar performance.
Projeção (ABRAINC): até 30% do mercado residencial brasileiro pode operar nesse modelo até 2030.
Eduardo Buzzi contribuiu essa semana com sua visão sobre a tese de residência como serviço em artigo publicado pela ADIT. Acesse aqui.
O mercado imobiliário residencial está sendo redesenhado por dentro — e uma das mudanças mais profundas está na energia. O boom das baterias domésticas nos EUA sinaliza que a autossuficiência elétrica será um novo diferencial competitivo no setor.
O que era nicho virou padrão. Em 2024, o número de casas com baterias nos EUA cresceu 64%, chegando a 3.028 MWh de capacidade instalada em meio milhão de lares.
As razões são múltiplas:
Casos como Alemanha e Itália mostram o caminho: lá, mais de 70% dos novos sistemas solares já vêm com bateria integrada.
Pode parecer distante, mas nos acostumamos a ver a cada forte chuva em São Paulo, milhares de residências ficarem dias sem energia.
Assim como o ar-condicionado virou padrão em regiões quentes, a bateria pode virar obrigatória em mercados de risco climático. Incorporadoras atentas a isso terão uma vantagem estrutural — e uma nova fonte de receita. Já pensou em ter seu novo lançamento imobiliário como um projeto à prova de apagão?
O setor de habitação acessível encontra na construção modular uma solução viável para três crises simultâneas: custo, tempo e sustentabilidade.
O conjunto Bethany Terraces, no Brooklyn, entrega 57 unidades para idosos em um prédio montado com módulos pré-fabricados, 100% elétrico e com padrão Passive House. (já falamos desse conceito por aqui)
Resultado:
Mais que uma inovação estética, trata-se de uma transformação operacional — com impacto direto na viabilidade econômica dos projetos.
A próxima fronteira é cultural e regulatória. Os desafios não são técnicos — são normativos e mentais. A questão agora é: quanto tempo até isso se tornar o novo padrão no Brasil?
Frequentemente falamos sobre a maturidade do mercado imobiliário americano e como fundos institucionais exploram o segmento para renda.
Contudo, o segmento de residências unifamiliares não desperta grande atenção.
Ano passado circulou a ideia de que investidores profissionais (como BlackRock) compraram 44% dos imóveis individuais unifamiliares dos EUA. Mas os dados desmentem essa narrativa.
O que os dados mostram:
Os números reforçam o que faz sentido: Quanto mais profissional for a decisão de investimento imobiliário para a renda, mais se chegará à conclusão que o melhor é ser o dono do prédio e não de unidades individuais.
Por que importa:
O mercado ainda trata o imóvel como o protagonista absoluto. Mas o que os dados, os movimentos dos consumidores e os investimentos mostram é que a experiência está migrando do imóvel para os serviços ao redor dele.
Energia, mobilidade, conectividade, segurança, conveniência. Quem entrega isso de forma fluida constrói valor real — e não apenas parede.
No fim, talvez o novo símbolo de status não seja mais o CEP — mas a autonomia que o espaço oferece.
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Até a próxima edição 👋🏼
O primeiro programa destinado a empreendedores e investidores imobiliários